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Incrível como coisas pequenas fazem toda a diferença na nossa vida, né? Hoje me arrumando para ir tomar um latte com o meu marido, que é o nosso programa preferido no domingo a tarde, me deparei com um conforto que eu sinto há uns 4 anos que antigamente não seria possível, a maneira como eu estava me vestindo.


Esse post pode parecer besteira, mas me escutem, vou tentar explicar o que eu estou querendo dizer.


Eu nunca fui de comprar muita roupa no Brasil porque quase não tinha dinheiro, mas para a minha sorte, minha mãe é uma costureira e modelista muito talentosa que sempre fazia peças incríveis para mim. Ela ia na loja, conseguia achar tecidos bem em conta de ótima qualidade e transformar em uma peça linda, mas essas peças acabavam se tornando um fardo para mim porque não era isso que eu queria vestir, não pelo fato de ter sido feito em casa, mas sim pela forma que modelava o meu corpo. 


Eu sempre detestei coisas marcando o meu corpo e fomos criados em uma cultura que se você não tem bunda e peito, você não se encaixa no padrão. Me lembro que era muito comum vestir vestido colado no corpo, saia justa, blusinha marcando os seios. Quando ele olho para a forma que eu me vestia, entendo que nunca me arrumei para mim, e sim para tentar me encaixar em um padrão da sociedade que eu nunca pertenci. 

Me lembro quando eu tinha uns 19 anos, eu estava de namorico com um cara. Quando estava me arrumando eu escolhi uma calça meio larguinha, achei o look lindo e confortável, e a primeira coisa que ele me disse quando me viu foi que eu já era muito magrinha, que uma calça larga ia esconder a minha bunda e que já que eu mal tinha seios, então, era legal deixar a bunda marcando. Ao invés de eu mandá-lo pastar, eu comecei pedindo a minha mãe para apertar todas as minhas calças e shorts, queria tudo bem justo no meu corpo porque se não tivesse justo, eu jamais usaria.

Hoje em dia eu mudei 100% em relação a muita coisa e me vestir foi uma delas, vejo o quão tola eu era. Agora eu me visto para mim, uso o que faz eu me sentir bonita, o que me deixa confortável e isso inclui calças largas, de alfaiataria, ou jeans rasgado que me da um vibe bem grunge. E to feliz assim.




Meu lookinho do dia, blusa de gola alta, calças largas e rasgadas, all star & blazer para finalizar o look :)
Um beijo!

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2 Comentários

  1. Ai, amiga. O meu caso é que eu sempre fui julgada por preferir o conforto. uahahah
    Entre a moda e o conforto, eu sempre fiquei com o conforto.

    Vi uma resenha semana passada sobre um livro de moda que dizia que a moda é feita para fazer com que as mulheres se sintam inadequadas, que é assim que a indústria sobrevive. Faz sentido. Tudo ou é apertado demais, ou largo demais, ou o alto é mto alto, ou é mto masculino etc., etc., etc...

    Complexo. Por isso que é bom a gente buscar o que nos faz bem.

    Um beijo,
    Fernanda Rodrigues | contato@algumasobservacoes.com
    Algumas Observações
    Projeto Escrita Criativa

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  2. É incrível como cada um vive uma vida e, em todas elas, a mulher sempre sofre. No meu mundo, o "errado" era vestir roupas curtas e apertadas. Cresci ouvindo que quem usava roupas curtas e apertadas "não se dava ao respeito" e era assim, também, que os homens (meninos, na época) tratavam as meninas que gostavam de roupas mais ousadas (isso no meu mundo fora da escola, pq na escola era bem diferente, já que era uma escola alternativa de esquerda que todo mundo parecia hippie e julgar o outro pelas roupas era a coisa mais ridícula que podia acontecer). Também cresci num mundo onde o certo era ser magra. Isso em todo lugar que eu frequentava. Eu não era gorda, mas meus 52kg em 1,57m de altura já eram considerados muitos. Sim, sempre era preferível que a mulher tivesse bunda e peitos, mas não podia ter bunda demais (o peito podia ser demais, mas quem tinha pouco peito não era julgada não). Eu nunca tive problema com minhas roupas exatamente por estudar numa escola alternativa. Mas fora dela não era vista como bonita primeiro pela minha aparência física e segundo porque eu sempre usei roupas mais diferentes e não femininas. O que mais sofri em relação a roupas foi em relação às minhas roupas não serem consideradas femininas. Não era por serem menos coladas, mas é porque não era cheias de frufru, eu nunca fui muito fã de saia e usava roupas que no meu bairro conservador eram consideradas estranhas. Eu AMAVA ser considerada estranha num bairro conservador, pq isso queria dizer que eu não era conservadora. E eu sempre amei ser diferente, ser mais moderna, ser "alternativa" (na minha época isso, pra mim, era sinônimo de ser inteligente rs). Mas eu não usava roupas coladas por ter um culote imenso (ao meu ver) e ficava feio (ao meu ver). Isso foi (e ainda é, mas bem menos) o meu problema. Mas concordo com o que a Fê disse: a moda e o padrão são feitos pra mulher sempre se achar desconfortável. A sociedade é pautada nisso. E quanto mais desconfortável com nossos corpos, mais várias indústrias ganham (como a indústria das operações, a farmacêutica). Por isso é tão importante a gente se conhecer e a gente conhecer o feminismo tb pra gente poder lutar contra as imposições da sociedade e ser feliz como nós somos e vestindo o que queremos vestir. E foda-se todo o resto! hahahahaha (desculpa pelo comentário imenso!)

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